Cabo Deyvison caminha para sofrer seu segundo atentado político em um único ano. Desta vez, sem tiros. A arma é outra. O mandato de vereador legitimado pelo povo em 2024, quando se lançou candidato defensor das Barrocas, o seu bairro de criação.
O TRE deve julgar amanhã a ação por infidelidade partidária que pode custar ao vereador a cadeira na Câmara de Mossoró.
Deyvison deixou o MDB no último dia da janela partidária e migrou para o PL. Foi a legenda que lhe abriu as portas para disputar uma vaga de deputado federal.
Agora, ele já prevê o desfecho. “Não se engane. Tudo isso foi feito de forma orquestrada. Nunca vi um processo caminhar tão rápido”, afirmou em vídeo.
Pode ser paranoia política. Pode ser apenas coincidência. Mas política, como se sabe, raramente trabalha com coincidências.
Deyvison incomoda. E não é difícil entender por quê.
O vereador vem crescendo justamente onde muitos candidatos adoram aparecer, mas poucos conseguem penetrar. Na periferia. A expectativa é que ele saia de Mossoró como um dos nomes mais votados para deputado federal.
E voto demais também produz inveja demais. Até dentro de casa.
No adesivaço do PL Mossoró, no último sábado, com presença de Rogério Marinho, o deputado Sargento Gonçalves fez uma provocação indireta ao chamar Deyvison de “candidato melancia”, numa cobrança para que ele também pedisse votos para Flávio Bolsonaro.
Deyvison respondeu do jeito que sabe, com ironia. Comeu uma melancia durante motociata dos “Elementos”, ao lado do parceiro de caminhada, o candidato Jorge do Rosário. E ainda lembrou a força da fruticultura irrigada de Mossoró.
A política potiguar está cada vez mais interessante. E mais tropical. Agora resta saber se amanhã o TRE vai cortar a melancia pela metade. Ou se vai apenas tirar o caroço do caminho.
O efeito de tamanha perseguição pode ser o contrário.
Aguardemos, pois!