Quando a Polícia Federal, sob ordens de um ministro do STF, conduzia operações ilegais contra jornalistas, blogueiros, políticos e influenciadores bolsonaristas, parte da grande imprensa transformava o noticiário em festa nas redações dos telejornais. Conduções coercitivas. Buscas e apreensões. Prisões. Tudo ancorado no inquérito das fake news, aberto em 2019 dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. Sem prazo claro para acabar. Sem conclusão definitiva. E quase ninguém questionava os excessos.
Naquele momento, o ministro era tratado como herói. Uma divindade religiosa. O homem da toga preta. O guardião da democracia e da Constituição. Vazamentos seletivos viravam manchetes. Bastidores viravam “furos”. Programas da GloboNews exploravam cada nova fase das operações com entusiasmo. O discurso era de defesa das instituições. A crítica, quase zero.
O poder cresceu. E cresceu como um ônibus sem freio descendo à ladeira. Agora, diante de investigações que atingem membros da própria corte, como no caso Banco Master, o resort e os R$ 129 milhões da esposa de um dos ministros, o tom mudou. O que antes era celebrado passou a assustar. Ver os jornalistas com cara de medo e aflição na TV e questionando sobre como parar Xandão, é cômico. A mão pesada que servia para calar adversários virou ameaça para eles. O jogo virou. O monstro que ajudaram a alimentar agora ronda quem o aplaudiu.
Bolsonaro avisou. Vocês preferiram crucifica-los. O sistema será implacável com quem questiona o próprio sistema.