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O golpe do Baú contra o legado de Silvio Santos

O golpe do Baú contra o legado de Silvio Santos


As filhas e o genro de Silvio Santos não apenas mudaram o rumo do SBT. Fizeram pior. Traíram o legado do maior comunicador da história do Brasil. A imagem de Lula e Alexandre de Moraes como figuras de destaque na inauguração do SBT News não foi um detalhe protocolar. Foi um símbolo de rendição ao sistema. Um verdadeiro golpe do Baú contra tudo o que Silvio construiu ao longo de décadas.

Silvio Santos sempre foi avesso ao jornalismo militante, ao noticiário alinhado a governos, ao uso da imprensa como instrumento de poder. O SBT nasceu e cresceu como alternativa ao sistema, como uma emissora popular, desconfiada do poder e conectada com o povo. Transformar o SBT em mais um braço da agenda oficial é destruir a alma da emissora. Silvio não queria jornalismo opinativo travestido de notícia. Ele defendia o jornalismo que conta a história e apresenta os fatos, não o que escolhe lados.

O SBT News já nasceu morto. Não por falta de estrutura ou profissionais, mas por falta de identidade. Nasceu para servir à pauta do sistema, não aos interesses da população. A cena do fotógrafo presidencial tentando impedir imagens de Alexandre de Moraes conversando com Lula, logo na inauguração, é emblemática. É o retrato de uma emissora que já estreia sob constrangimento, censura velada e submissão. E tudo isso sob a condução de Fábio Faria, genro de Silvio, que assumiu o projeto.

As reações não demoraram. Patrícia Abravanel perdeu mais de um milhão de seguidores, sinal claro de que o público entendeu o recado. Zezé Di Camargo pediu a retirada de seu especial de fim de ano, algo impensável em outros tempos. O público percebe quando há traição de valores. E reage.

O que acontece hoje no SBT lembra, e muito, o que ocorreu com a Globo após a morte de Roberto Marinho. A emissora abandonou a identidade original e passou a servir a uma agenda ideológica, woke, distante do brasileiro comum. O SBT segue pelo mesmo caminho. Troca independência por aceitação. Troca público por aplauso do poder.