O serviço de pediatria do Hospital da Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró, enfrenta a ausência de médicos pediatras nas escalas de plantão. Atualmente, o atendimento que deveria ser realizado por especialistas está sendo conduzido por clínicos gerais, alguns deles recém-formados, em uma unidade que é referência regional no atendimento infantil de média e alta complexidade.
O hospital atende crianças a partir de 29 dias de vida até 14 anos e 11 meses, recebendo pacientes encaminhados pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Mossoró e também de diversos municípios da região Oeste do Rio Grande do Norte. A unidade conta com enfermaria pediátrica e pronto-socorro regulado, estrutura que exige avaliação e acompanhamento de médicos especialistas.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, a substituição de pediatras por clínicos gerais ocorre porque a empresa CIRMED, com sede em São Paulo, vencedora da licitação para fornecer profissionais pediatras ao hospital, não conseguiu preencher as escalas com especialistas. Diante da falta de pediatras, a empresa passou a escalar médicos clínicos para exercer funções típicas da pediatria.
Uma médica pediatra de Natal chegou a ser indicada como responsável técnica pela escala, mas, segundo apuração, ela não realiza plantões presenciais na unidade de Mossoró. Atualmente, o atendimento pediátrico segue sendo feito sem a presença regular de especialistas, mesmo com a complexidade dos casos atendidos.
A assinatura de um contrato nessas condições pela Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (SESAP) é alvo de críticas de profissionais da área, que classificam a situação como um grave descaso com a população.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que, embora clínicos gerais tenham formação médica ampla, o atendimento pediátrico, especialmente em casos de média e alta complexidade, exige conhecimento específico, experiência e treinamento adequados.