Calma lá. É precipitado afirmar que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o vice-governador Walter Alves já bateram o martelo para caminhar juntos na disputa pelo Governo do Estado em outubro. Há diálogo, é verdade, mas o jogo é bem mais complexo do que se tenta vender nos bastidores.
Uma fonte próxima às conversas confidenciou que não é simples para Walter romper com o PT e aderir, de forma direta, ao projeto de Allyson. O MDB hoje ocupa vários espaços importantes dentro do governo estadual, e até na estrutura federal, o que eleva, e muito, o preço dessa negociação.
Um exemplo é o DNIT. A indicação é de Walter. Getúlio Batista comanda a superintendência do órgão no Rio Grande do Norte e será o responsável por coordenar a maior obra da história do Estado. A duplicação da BR-304, com previsão de início já no próximo dia 22. Não por acaso, o MDB tem explorado politicamente essa obra em sua propaganda.
O controle de espaços não para por aí. Walter também indica a direção da Caern, estatal que concentra vários cargos e grande capilaridade política. Pastas como Recursos Hídricos e Desenvolvimento Econômico, esta última comandada pelo ex-prefeito de Apodi, Alan Silveira, também orbita sob a influência direta do vice-governador. Some-se a isso o fato de o MDB ocupar a vice-governadoria, com o próprio Walter.
Façamos um raciocínio lógico. Walter Alves estaria disposto a abrir mão de toda essa estrutura para, no máximo, fortalecer uma nominata competitiva que o consolide como deputado estadual? Evidentemente, não. O que está em curso é um jogo de barganha. Walter conversa com os dois lados, administra o tempo e coloca na mesa todo o peso político que hoje detém junto ao PT para tensionar as negociações com Allyson.
Do outro lado, quem conhece o perfil do prefeito de Mossoró sabe, Allyson não é conhecido pela habilidade de ceder. Centralizador, vaidoso e pouco afeito à partilha de poder, costuma endurecer nas negociações.
João Maia, coitado, surge quase como figurante dessas negociações. Ele tenta emplacar o nome da esposa, Shirley Targino, como vice e, ao vazar informações à imprensa, está apenas interessado em queimar Walter.
Os Alves sabem jogar. É cultural deles. Têm partido, têm estrutura e têm tempo. Tudo isso será colocado no balcão de negócios. Resta saber se Allyson está disposto a pagar o preço exigido por Walter Alves ou essa aliança morrerá antes mesmo de sair do papel.